Estudante negra do Prouni é chamada de puta e fedida na PUC-SP

Gente segue abaixo noticias de blogs falando sobre o caso de racismo contra estudante negra da Puc de SP. É revoltante ver como as mulheres negas são socialmente perseguidas e ameaçadas, e massacradas psicologicamente por psicopatas sociais racistas e misogenos (as).
Leiam o texto abaixo e vejam se é possivel uma pessoa seguir sua vida normal, já penalizadas pelas realidade sociais já pesadas pra nós mulheres negras, após ser bombardiada por ataques deste teor…  
 
Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.

Estudante negra do Prouni é chamada de puta e fedida na PUC-SP

21 de novembro de 2010 às 11:33
Publico a seguir matéria que acabo de pescar no Viomundo, do meu amigo Azenha. A estudante Meire Rose Morais, de 46 anos, que estuda Direito na PUC-SP por conta do Prouni, foi barbaramente atacada numa lista de emails. A matéria foi originalmente produzida pelo Jorge Américo, da Radioagência NP.

Há uma onda de ataques preconceituosos ocorrendo principalmente em estados do sul/sudeste, com destaque especial para a cidade de São Paulo. A este caso se somam o ataque violento a jovens homossexuais na avenida Paulista, a ação de Mayara Petruso no tuiter e o comentário estúpido do tal Prates da RBS.

A sociedade civil organizada e progressista precisa agir no sentido de construir pontes com todos os setores possíveis que visem impedir o crescimento dessa banda podre da sociedade.

Também é fundamental dar nome aos bois. Na matéria a seguir, o estudante que disparou o email não é identificado. É fundamental que seja. Quando o nome do sujeito ganha dimensão pública, sua desmoralização já é uma forma de punição.

Segue o texto:

Da Radioagência NP, por Jorge Américo.
A estudante do último ano de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Meire Rose Morais sofreu ofensas com conteúdo racista de uma colega de sala. De acordo com ela, as agressões se deram em uma lista de e-mails. Meire relata que é comum os bolsistas negros do Prouni serem tratados de maneira preconceituosa.

 “Ela manda os e-mails com vários contextos que discriminam a questão racial: ‘esse creme que você usa para emplastar seu cabelo’.  Ela faz uma ofensa pelos elementos raciais que eu possuo. Eu tenho o cabelo crespo, cacheado e para ele não armar muito eu passo bastante creme.”

 Meire é solteira e mãe de três filhos. Dentro de um mês se formará aos 46 anos de idade. Ela conta que foram feitas referências até mesmo a um problema no pé que a obriga a usar sandálias.

 “Ela deixa bem claro o que ela entende das pessoas negras, que é tudo bandido, ladrão. Eu nunca imaginei que pudesse causar tanto problema. Eu passei cinco dias chorando na faculdade. Eu não conseguia me vestir direito, eu tinha medo de sair de casa e as pessoas rirem de mim. Eu tive dificuldades para colocar de novo a minha sandália.”

 O advogado Cleyton Wenceslau Borges, que acompanha o caso, acionará o conselho universitário para pedir apuração. Depois de encerrada a sindicância, poderão ser abertos processos na Justiça. Meire revela que também será solicitado ao Ministério da Educação que oriente as universidades a implementarem fóruns de discussão e combate ao racismo como exigência para a concessão do título de filantropia.

 “Às vezes aquela pessoa é tão tímida que não consegue se colocar. Então, teria que existir um comitê de combate a todos os tipos de discriminação. Não adianta apenas ter um psicólogo para atender aqueles que sofrem preconceito na PUC ou em outras universidades particulares que adotam ações afirmativas.”

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

19/11/10
Confira trechos de um dos e-mails:

 “Fico feliz, pq agora, posso, sem peso na consciência, dizer: VAI SE
FUDER!!!”

 “Ah, já que estamos falando de campanhas e tal, queria te apresentar uma
que só depende de vc, ela se chama: Meire, botas já!! É baseada no fato
de que estamos cansados de ter que ver o seu pé grotesco!! Sério! Vc
devia consultar um podólogo, tenho certeza que o SUS tem um, pq aquilo
não pode ser só um joanete, com certeza é uma forma alienígena de vida
que se acoplou ao seu pé!! Na boa, pela sua própria saúde, consulte um
médico!

“Além disso, tbm acho que está na hora de vc trocar o produto que vc
usa para emplastar seu cabelo, pq esse já venceu, e o cheiro…. Na
boa….É insuportável!”

“Ah! Mas espero que vc não leve para o lado pessoal sabe?! Gosto muito
de vc! Vc alegra o meu dia e me faz dar muitas risadas, principalmente qnd
vc vem com meia calça estampada, saia de bolinhas e sapatos caramelo!
Uhaha! Hilário!”

“Ha, e só para fechar com chave de ouro, queria saber se vc não tem
nada mais pra fazer da vida dq propaganda política? Pq pessoalmente acho q vc deveria se dedicar mais aos estudos, não?!

Mas hey! Oq eu estou falando vc já está bem encaminhada! Afinal, vc pratica a profissão mais antiga do mundo (É a prostituição caso vc nao saiba!)

Ou melhor.. acho que não Né?Pq, citando um político: ‘Vc nem pra prostituta serve pq é muito feia’ “

 “Ufa! Obrigada mais uma vez por permitir esse meu desabafo! Com certeza sairei mais leve desta faculdade!”

 
“A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.”
prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard

2 Comentários

Arquivado em fim da violência contra a mulher, relações raciais Brasil

2 Respostas para “Estudante negra do Prouni é chamada de puta e fedida na PUC-SP

  1. wu

    não vi nada de racismo e sim ofensas pessoais

    • jackieisis

      Wu, eu já pelo meu ponto de vista vejo que o fundo das ofensas são baseados em esteriotipos negativos referenciados as mulheres negras historicamente, estas “imagens de controle!” servem a ideologia da superioridade branca e causam a supressão do ser feminino humano Afrodescentende. Estas ofensas afetam o psicologico e deterioram a construção identitaria positiva das mulheres negras. Além de constituir crime, o racismo é um mal para toda a humanidade já que prejudica o pleno desenvolvimento das pessoas. Pessoas capazes de produzir ofensas como as que foram deferidas a estudante, são pessoas doentes socialmente já que não conseguem conviver com a diversidade e a potencialidades das pessoas. É revoltante, mas a nossa sociedade brasileira vela tudo isso personalizando estes casos que na verdade são reflexo da nossa sociedade altamente hierarquizada e desigual…

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