Tecnologia Africana na Formação Brasileira, por Henrique Cunha Junio

leiam texto integral em: http://xa.yimg.com/kq/groups/18015833/697523670/name/CADERNOtecnologias%20africanas_CEAP_vf.pdf
Trecho da introdução: 
"no Brasil muitas pessoas negam a existência de racismo contra a
população negra, primeiro por serem pessoas que se beneficiam deste
racismo. Portanto, tem as suas conveniências e negar a sua existência é
uma maneira de disfarçar os propósitos de manter a população negra
numa situação subalterna. os membros dos grupos sociais subalternos
trabalham muito, recebem pouco e obedecem bastante para sobreviverem. os problemas do racismo contra a população negra são problemas
sociais e econômicos da sociedade brasileira no campo da dominação
dos grupos subalternos. Terminado o escravismo criminoso, uma forma
de deixar a população negra em condições de vida subalterna foi produzir um grande processo de desqualificação social das negras e negros.
as profissões que eram de domínio da população negra foram
transferidas para outras populações ao longo do século. Vejam, não se
trata de um problema de “raça” no sentido da “raça biológica”, pois a
ciência mesmo tem demonstrado não existirem raças. Trata-se de um
problema dos mercados de trabalho, das posições sociais entre os grupos
sociais e um problema político de quem manda e de quem tem que obedecer por imposições sociais. Mas é um problema que não é individual e
sim coletivo. não basta ter uma negra ou um negro presente para não
existir racismo. Para não existir racismo o acesso tem que ser coletivo e
livre das ideologias racistas.
a maioria das pessoas partem de uma definição do racismo genérica e pouco útil para compreensão da sociedade brasileira. Pensam o racismo como o ódio entre as raças, mas não é isto o que ocorre no Brasil e sim
a forma de controle social entre grupos sociais. o racismo brasileiro exe
cuta um longo e fortíssimo trabalho de manutenção das estruturas sociais.
exclui o coletivo de uma participação ampla na sociedade brasileira por
formas práticas e não diretamente declaradas. Uma das formas é produzindo ideias ambíguas, erradas ou preconceituosas sobre a população
negra. ideias que muitas vezes nós mesmos negros não percebemos o que
está por detrás delas e as admitimos como verdade.
Vejam como são as coisas: o meu professor de filosofia na faculdade
era marxista, socialista e democrático. no entanto ele dizia que somente
os gregos faziam filosofia. ou seja, somente os gregos trabalhavam com a
racionalidade científica. isto induz a ideia de que os africanos não teriam
filosofia e de que também não teriam produzido pensamentos dentro da
racionalidade científica. deduziríamos que estariam atrasados com rela-
ção aos europeus. isto produz ideias racistas que desqualificam socialmente os africanos para a produção do pensamento filosófico.

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