LUTO pela morte de Abdias do Nascimento

IPEAFRO informa e agradece as mensagens de condolências Abdias Nascimento O corpo do Professor Abdias Nascimento será velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano nº 1 – Cinelândia), nesta quinta-feira, dia 26/05, no horário das 18h. às 23h., e na sexta-feira, dia 27/05, das 6h. às 11h.

quem foi ele:

Nascimento, Abdias do
(1914)

Biografia
Abdias do Nascimento (Franca SP
1914). Ator, diretor e dramaturgo. Militante da luta contra a discriminação
racial e pela valorização da cultura negra. É responsável pela criação do Teatro
Experimental do Negro
, que atua no Rio de Janeiro entre 1944 e 1968. Essa é
a primeira companhia a promover a inclusão do artista afrodescendente no
panorama teatral brasileiro.

A militância política de Abdias do Nascimento começa na década de 1930,
quando integra a Frente Negra Brasileira, em São Paulo. Participa, anos depois,
da organização do 1º Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir
formas de resistência à discriminação racial. No início da década de 1940, em
viagem ao Peru, assiste ao espetáculo O Imperador Jones, de Eugene
O’Neill, no qual o personagem central é interpretado por um ator branco tingido
de negro. Refletindo sobre essa situação, comum no teatro brasileiro de então,
propõe-se a criar um teatro que valorize os artistas negros.

Nascimento permanece em Buenos Aires por um ano, estudando no Teatro Del
Pueblo. Quando volta ao Brasil, em 1941, é preso por um crime de resistência,
anterior a sua viagem. Detido na penitenciária do Carandiru, atualmente extinta,
funda o Teatro do Sentenciado e organiza um grupo de presos que escrevem e
encenam os próprios textos.
No Rio de Janeiro, com o apoio de uma série de
artistas e intelectuais brasileiros, inaugura o Teatro Experimental do Negro –
TEN, em 1944, com a proposta de trabalhar pela valorização social do negro por
meio da cultura e da arte. No primeiro ano de funcionamento, o TEN promove um
curso de interpretação teatral, ministrado por Nascimento, além de aulas de
alfabetização e oficinas de iniciação à cultura geral, objetivando a formação de
artistas e colaboradores. Dirige o espetáculo de estreia do grupo, O Imperador
Jones, em 1945. No ano seguinte participa como ator de duas outras peças de
O’Neill produzidas pelo grupo: Todos os Filhos de Deus Têm Asas e O Moleque
Sonhador. Ainda em 1946, comemorando dois anos de fundação do TEN, protagoniza
trecho do espetáculo Otelo, de William Shakespeare, com a atriz Cacilda
Becker
.

Em
seguida, o grupo passa a encenar uma série de novas peças da dramaturgia
brasileira, focalizando questões de relevância para a cultura negra. Nascimento
dirige, em 1947, O Filho
Pródigo
, de Lúcio Cardoso, e também atua na peça, a primeira escrita
especialmente para o TEN, abordando a questão do negro em forma de parábola. No
ano seguinte, atua como ator e diretor em Aruanda, de Joaquim Ribeiro, colocando
pela primeira vez no centro da representação elementos da religiosidade
afro-brasileira. Monta Filhos de
Santo
, de José de Morais Pinho, em 1949.

Apropria-se
da tradição do teatro de revista para escrever Rapsódia Negra, encenada
em 1952. Em 1957, participa como ator da montagem de seu segundo texto
dramatúrgico, Sortilégio,
fábula moral que fala do preconceito de raça com base em uma situação vivida
pelo protagonista, com direção é de Léo
Jusi
. Anos mais tarde, escreve uma segunda versão dessa peça, mesclando a
ela aspectos da cultura africana, inspirada em sua estada de um ano na Nigéria,

Dirige, entre 1948 e 1951, o jornal Quilombo, órgão de divulgação do
grupo e de notícias de outras entidades do movimento negro. Realiza a
Conferência Nacional do Negro, em 1949 e, o 1º Congresso do Negro Brasileiro, em
1950. Em 1961, publica o livro Dramas para Negros e Prólogos para
Brancos
, compêndio com peças nacionais que tratam da cultura negra, entre
elas as montadas pelo TEN.

Devido à perseguição política, em 1968 Nascimento parte para um exílio que
dura treze anos. Com a dissolução do TEN, deixa de atuar e dirigir no teatro, e
sua militância ganha outras direções. Fora do Brasil, atua como conferencista e
professor universitário, publica uma série de livros denunciando a discriminação
racial e dedica-se à pintura e pesquisa visualidades relacionadas à cultura
religiosa afro-brasileira. Na volta ao país, investe na carreira política,
assume cargo de deputado federal e senador da república pelo PDT, sempre
reivindicando um lugar para a cultura negra na sociedade.

peguei do site: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=8925

1 comentário

Arquivado em consciência negra, movimentos negros, poder e negritude, relações raciais Brasil

Uma resposta para “LUTO pela morte de Abdias do Nascimento

  1. Abdias será sempre lembrado como diamante negro do brizolismo, guerreiro da paz, baluarte da resistência e fiel escudeiro de Leonel Brizola na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), legenda pela qual foi deputado federal e senador, secretário de Estado e membro do Diretório Nacional até a morte.

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