Carta Aberta de Repúdio ao COLETIVO DE ESTUDANTES NEGROS E NEGRAS DA UERJ – DENEGRIR

Nós, MULHERES NEGRAS PELO RESPEITO do Rio de Janeiro, vimos através desta, repudiar veementemente as várias formas de agressões e violência cometidas por membros deste coletivo. Devido às manifestações ocorridas no Brasil recentemente, resolvemos criar uma coluna do “Movimento Negro” aqui no Rio de Janeiro, com o objetivo de participar das manifestações e expor a nossa pauta de reivindicações. Em reunião que aconteceu no Centro de Filosofia e Ciências Sociais – IFCS da UFRJ no dia 19/06/2013, estiveram presentes representantes de diversos coletivos e independentes (militantes que não fazem parte de coletivos). A inquietação que motivou a “união” dos coletivos e diversos negros (as) militantes do Rio de Janeiro aconteceu após percebermos a importância política deste novo cenário brasileiro e de que deveríamos estar presentes, como protagonistas da nossa própria história e pautando as nossas reivindicações, uma vez que não vimos em momento algum nas manifestações anteriores, as pautas específicas da população negra. Para tanto, resolvemos adotar como marca o turbante. Nosso objetivo era chamar a atenção para as nossas reivindicações. Desta forma, nos colocamos a ouvir representantes de vários coletivos, na tentativa de traçar uma pauta única, e assim participar da manifestação pública que aconteceu no dia 20/06/13, bem como em outras que viriam posteriormente. Como pauta adotamos os seguintes pontos: Contra o extermínio da juventude negra; Pela efetivação da PEC das domésticas; Pela desmilitarização da PM; Contra a “cura gay”, Fora Feliciano; Pelo fim do abuso sexual no transporte coletivo; Respeito as religiões de matriz africana; Contra as remoções nas favelas e bairros em disputas pela especulação imobiliária; Contra o encarecimento do custo de vida; Contra a redução da maioridade penal; Pela efetivação da lei 10.639/03; Pelo fim do racismo no SUS; Contra o Estatuto do Nascituro. Com o nome de “Revolução dos Turbantes”, saímos em bloco na referida manifestação. Em momento algum esta mobilização teve a intenção de se sobrepor a qualquer organização, coletivo ou movimento social, ou tornar-se a única voz em nome das negras (os) do país. Nesta manifestação, a idéia era tão somente nos mantermos como um grupo de pretas (os) que possuem uma agenda política, porém não se viam representados nas outras manifestações. Nossa participação na manifestação pública do dia 20/06/13 foi um sucesso porque conseguimos chegar até ao Monumento de Zumbi dos Palmares na Avenida Presidente Vargas. Ouvimos dos “mais velhos (as)” presentes, que aquele ato era um fato histórico que tínhamos feito porque a Marcha de Maio de 1988( Centenário da Falsa Abolição) foi um marco na luta contra o Racismo Brasileiro, visto que nesta marcha os manifestantes não puderam se quer passar do Pantheon de Duque de Caxias na Central do Brasil. A “revolução dos turbantes” teve repercussão em várias cidades do Brasil, bem como na mídia internacional. Porém, nem tudo foram flores, pois em muitos momentos, houve desrespeito e violência contra nós mulheres negras por parte de alguns homens negros presentes, fomos vítimas de empurrões, agressão verbal. O já mencionado coletivo também deu início a práticas difamatórias e caluniosas, através das redes sociais. Por acreditar que seria possível manter um diálogo com outros militantes que por certo não compactuam com as práticas desenvolvidas pelo COLETIVO DENEGRIR, tentamos fazer uma reunião de avaliação da referida manifestação, no dia 26/06/13. Tentamos, pois foi impossível, dado que os membros do referido coletivo, chegaram com o objetivo de implodir a reunião e acabar com qualquer possibilidade de diálogo e construção para outras manifestações. O que aconteceu foi uma série de gritaria, ofensas de cunho homofóbico, lesbofóbico, sexista, machista, misógeno etc. As ofensas consistiram em, por exemplo, atrelar negros gays que mantêm relações com homens brancos a criminosos, como a de dizer que ali presente estava um “coletivo de mulherzinhas e que não passavam de um bando de piranhas”. Infelizmente, esta é uma prática recorrente dos homens pretos deste coletivo. Pesa ainda sobre este coletivo, acusações de violência física, psicológica e moral. São inúmeros os relatos de agressões protagonizadas por estes homens negros que, em nome do que eles imaginam ser uma militância negra, agem com tamanha violência e agressividade. REPUDIAMOS TODA E QUALQUER FORMA DE VIOLÊNCIA CONTRA NOSSO CORPO, NOSSA SAÚDE FÍSICA E MENTAL. Não podemos mais aceitar que tais práticas continuem a acontecer nem aqui no Rio de Janeiro, nem em qualquer outra parte do Brasil ou do mundo. Somos mulheres pretas na luta contra o racismo, machismo, patriarcalismo, sexismo, homofobia, lesbofobia, transfobia, misoginia etc. A nossa luta é por uma sociedade justa e igualitária. De modo que EXIGIMOS, QUEREMOS E MERECEMOS RESPEITO. Por hora, vimos acontecer práticas retrógradas e recorrentes, que há muito foram protagonizadas por gerações anteriores a nossa. Não podemos aceitar este e nem outro tipo de retrocesso, pois muito sangue e choro foram derramados por nossas (os) ancestrais, para que não sucumbíssemos às investidas da escravidão e do racismo e resistíssemos até os dias de hoje.

Por fim, reafirmamos que não nos colocamos contra nossos “irmãos ou irmãs”, porém, se estes insistem em praticar ações que ferem, subjugam, aprisionam e, por consequência matam a nós mulheres pretas e aos nossos, essas pessoas NÃO SÃO NOSSOS IRMÃOS (AS) E NÃO NOS REPRESENTAM. “A NOSSA LUTA É TODO DIA, CONTRA O RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA…”.

Sem mais,

Assinam esta carta: MULHERES NEGRAS PELO RESPEITO

Apoiam esta carta: Adriana Baptista – Coordenadora do Projeto Acordo de Damas Adriana Moreira – Associação Mulheres do Odun – AMO Alessandra Mamede – Prof. SME- Grupo Afrolaje Alysia Mann Carey- Mestranda/Estudos Latinoamericanos da Universidade do Texas Ana Carolina Lima- MOCABTE Ana Cristina Conceição Santos – Rede Afro LGBT/ Apoiadora Rede Afro FGBT Ana Valéria Ubaldo da Silva – Articuladora Proj. Educação Cultura de Paz- PE Associação de Mulheres Negras Aqualtune Berenice de Aguiar – Médica e advogada Carla Akotirene Santos/BA Carla Messias – Associação Mulheres do Odun – AMO Cidinha da Silva- Escritora Clarissa Lima – MOCABTE Coletivo de Mulheres Negras Louva Deusas- SP Cristiane Santana – Associação Mulheres do Odun – AMO Daniel Franco de Mendonça – Professor da Rede Estadual de Ensino do RJ Edmeire Exaltação-Socióloga – Centro de Doc. e Informação Coisa de Mulher Eduardo Nascimento – Jornalista da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Elcimar Dias Pereira – Associação Mulheres do Odun – AMO Fabiana Leonel/BA Fabíola Oliveira – Colares D’Odarah Jaqueline Lima Santos – Doutoranda em Antropologia Social – UNICAMP – SP José Carlos Félix- CONEI – Rio de Janeiro
Jurema Werneck – CRIOLA Kassandra Muniz e Jussara Lopes pelo NEAB-UFOP Katia Santos – Pesquisadora e Escritora Leila R. Lopes – Gt de Gênero da CNPDC- Rede Sapata Lua Onawale, Salvador-Ba Luciene Lacerda – Instituto Búzios Magali Almeida- Doutora/Professora de Serviço Social Marcelo Reis – Jornalista e militante social Márcia Panhter – Coletivo de Negras (os) IFG Maria Andrea dos Santos- Educadora e doutoranda em Antropologia pela Universidade do Texas Mônica Ribeiro e Ribeiro – Jornalista – São Paulo (SP) Naira Fernandes – Promoter/RJ Neusa das Dores Pereira – Centro de Doc. E Inf. Coisa de Mulher (RJ). ONG Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher ONG Criola Priscila Estevão da Cunha/ PB Prof. Alex Ratts – Lagente/UFG Prof.ª Adélia Azevedo Rodrigo Reduzino Roseli Rocha – Assistente Social Rute Noemi Souza, Advogada, Assistente Social e Teóloga, Projeto Justiça Comunitária, RJ Selma Ferreira – Ativista do Movimento das Costureiras de Vigário Geral Simone F. dos Santos – Prof. de Geografia e Coord. Cult. e Cidadania – PVNC -PJ D. de Caxias, C. Cineclube Negro: Alma No Olho e G. Cultural Afro Laje Terezinha Martins dos Santos Souza, Drª em Psicologia Social, Profª. Adjunta de Psicologia do Trabalho – UFF Rio das Ostras/ RJ Umberto Alves – Produtor Audiovisual Vilma Neres, Jornalista, Salvador-BA. Vilma Reis – Movimento de Mulheres Negras da Bahia Viviane Ferreira (Aquatuny Ferreira) – Associação Mulheres do Odun – AMO Zezzynho Andraddy – Fotógrafo Rio de Janeiro, 26 de junho de 2013.

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