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Viva Carolina,Viva! – por Jackeline Romio

Atualmente os debates sobre a condição da mulher e principalmente sobre a produção de conhecimento na visão feminista vêm desenvolvendo-se e ganhando espaços na política, na sociedade e na cultura, porém esta abertura tem dando pouca visibilidade à produção cultural das mulheres negras.

Neste contexto que fazemos a apresentação sobre a produção artística literária da escritora negra Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 1914/5- São Paulo, 1977) que teve seu nome projeto no cenário literário brasileiro e internacional do princípio da década de 60 com o lançamento do livro Quarto de despejo (1960): diário de uma favelada, livro que é referência para os estudos sobre literatura latino americana nos períodos de ditaduras, sob a observação de sua literatura como testemunhal ou de diários. Nele a autora nos convida a visitar os quartos de despejo da cidade de São Paulo da década de 60, o que pensa, vive e sente uma mulher negra, mãe solteira e moradora de favela. Mostra sua visão da cidade, da sociedade e as cores da politica que carimbavam sua vida. Nos traz momentos marcantes como a costura dos sapados para presentear sua filha Vera Eunice que de aniversário a pede sapatos novos que ela vai aos lixos da cidade procurar, nos conduzindo as reflexões sobre os cruéis paradoxos urbanos, o luxo e o lixo, o pobre e o rico, a negra e o branco, a sala de visitas e os quartos de despejo.

Sua obra compreende diários, contos, poesias, provérbios e romances além de produção de composições de sambas que compõem o Lp quarto de despejo lançado pela RCA no ano de 1961[1], a obra contou com o apoio do Maestro Francisco Moraes nos arranjos e a direção artística de Júlio Nagib. É importante lembrar que sua obra foi apresentada pelas mãos do jornalista Audálio Dantas, que foi o editor da maioria da sua obra, situação também paradoxal que relata em parte no seu segundo livro (Casa de Alvenaria), onde por varias situações é colocado em jogo sua situação de autora da própria produção perante a pessoa a qual foi o primeiro a dar a oportunidade de publicá-las, ou seja, um grande debate sobre propriedade da produção intelectual da mulher negra pobre. Nesse enredo sentimos as sensibilidades das relações de poder e emoções marcadas na narrativa.

Em 1961, Carolina lança o livro Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada. São Paulo: Livraria Francisco Alves (Editora Paulo de Azevedo Ltda), nos oferecendo novas páginas de seu novo diário onde conta sua saída dos quartos de despejo e alcançando a tão sonhada casa de alvenaria, uma visita as salas de jantar. No livro a autora trata dos seus projetos, seus percalços, estigmas sofridos por ser uma mulher de favela em ascensão social após sucesso alcançado com o lançamento do seu primeiro livro. Reflete sua nova condição, como foi solicitada e rejeitada ao sair da favela ingressando nas casas tijolo, suas conversas com políticos e intelectuais, na sua transgressão de classe social. Estes diários não foram bem recebidos pelo público em geral, não alcançando o nível de vendas do anterior, poucos exemplares foram disponibilizados e ainda hoje está sem reedição.

Seu terceiro livro Pedaços da Fome (1963). São Paulo, Editora Áquila Ltda, também não recebeu grande adesão do público, sendo outro livro de seus projetos autofinanciados. Interessante notar que neste livro, ao contrário do que todos pudessem imaginar, Carolina nos trás um romance ficcional onde a principal protagonista é uma mulher branca, jovem e rica do interior de São Paulo. Carolina brilhantemente sustenta a história em formato linear de tempo, de um jovem que tomada pelos impulsos da juventude e desejo de conhecer o amor, a felicidade e a “cidade grande”, casa-se com pseudo-dentista jovem branco da cidade, de “boa aparência”, que a leva da sua pacata cidade rodeada dos mimos patriarcais do pai-coronel, chegando a cidade grande acaba em Guarulhos nos muquifos de um quintal de cortiço, muito diferente dos sonhos com arranha-céus e boa vida que imaginava ter casando-se com um dentista. Nesta situação passa pela invisibilidade da pobreza que a transfigura, porém Carolina genialmente a atribui o valor da dignidade da mãe guerreira, a dispõem de amizades de mulheres negras pobres e solidarias. Um romance de início, meio e fim bem determinado, linguagem envolvente, trama consistente além de fazer uso na trama das lições de moral típica das fabulas. Romance muito pouco explorado no geral o que é um absurdo frente ao grande valor que ele tem, afinal é de uma imaginação e um desprendimento do eu fabuloso, Carolina sente e se imagina num mundo reverso ao seu, coisa tão valorada na construção da personagem Macabei de A hora da Estrela, 1977, de Clarisse Lispector, que mescla memorias próprias e de alteridade ao criar uma jovem nordestina pobre vivendo na cidade do Rio de Janeiro.

No ano de 1965, mas por volta desta época Carolina de Jesus lança seu livro de provérbios, que se trata de ditos populares, reflexões e pensamentos sobre diversos temas, política nacional, convivência na comunidade, amor, fome, morte, etc. Onde em suas palavras pretende “transmitir através de suas reflexões um pouco de elegância e dignidade a vida atribulada do homem da cidade”.

Antes de sua morte, em 1977, entrega a jornalistas franceses manuscritos que em 1982 é publicado na França o livro Diário de Bitita, composto por contos que rememoram a infância em minas, sua trajetória migratória para Franca até a chegada em SP. Trata da vida como trabalhadora doméstica e obstáculos enfrentados em sua vida, suas relações de família, a escola e os livros. Sem duvida uma ótima leitura, muito envolvente e sensível. Este livro foi publicado no Brasil em 1986, pela editora Nova Fronteira.

Na década de 90 é revistada através das obras das ciências sociais no Brasil e
Estados Unidos. Em 1994, José Carlos Sebe Bom Meihy e Robert M. Levine publicam Cinderela Negra: a Saga de Carolina Maria de Jesus, um livro crítico sobre a vida e obra da autora. Em 1995, José Carlos Sebe Bom Meihy organiza e publica Antologia Pessoal, de Carolina Maria de Jesus, com suas poesias.

Em 1997, José Carlos Sebe Bom Meihy organiza e publica Meu Estranho Diário (trechos inéditos dos diários de Carolina Maria de Jesus). Em 1999, publicam o Unedited diaries of Carolina Maria de Jesus/ editado por Roberto M Levine e Jose Carlos Sebe Bom Meihy, que contem seleção do meu estranho diário (rio de janeiro, editora Xamã, 1997) que contem seleção de diários de 1958-1963, e nova introdução, notas, do diário de 1966. Eles dizem na introdução deste livro que Audálio Dantas apagou considerável proporção dos diários dela assim como aconteceu na casa de alvenaria. Contam que em 1996, Vera Eunice deu a eles cerca de 40 cadernos totalizando mais de 422 páginas que sua mãe havia escrito com copia de seus trabalhos escritos a mão nos finais de 1960.  Eles fotocopiaram tudo isso e comparando edições eles descobriram que ela tinha feito nestas anotações cópia de seus poemas, fragmento das músicas, ensaios, contos, e romances, e no meio destas páginas cerca 320 paginas de seus diários.

A repercussão e a profundidade de sua obra é tema de diversas teses, livros e releituras como a adaptação de Edi Lima, encenado no Teatro Nídia Lícia, 1961. Foi encenado também pela Cia Os Crespos, “Ensaio sobre Carolina”, 2007, virou Programas de radio pelos poetas: Maria Teresa e Allan da Rosa- Edições toró. No curta “Carolina”, 2003, o cineasta Jeferson De rele a obra “Quarto de Despejo”. Em 1971, na Alemanha, é produzido documentário sobre Carolina Maria de Jesus chamado Favela – Das Leben in Armut, 1971, 18 min, de Christa Gottmann-Elter, ainda inédito no Brasil: o filme mostra cenas do diário de Carolina Maria de Jesus, uma moradora de favela, negra, vivendo em São Paulo. Ela cozinha o que seus filhos acharam de restos no lixo. Ela chama as favelas de úlceras das cidades, sintomas da migração rural- urbano (informações da sinopse).

Desejo que muito ainda seja revelado sobre a obra e carreira desta escritora que muito ainda tem a dizer para nós através da sua transgressora visão de mundo e talento na escrita através da sua disposição em “transformar o silêncio em linguagem e ação”, usando as palavras de Audre Lorde para melhor definir o que sinto ao ler a arte de Carolina Maria de Jesus.

Bibliografia:

Jesus, C. M. de. (1960). Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Livraria Francisco Alves (Editora Paulo de Azevedo Ltda).

_________. (1961). Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada. São Paulo: Livraria Francisco Alves (Editora Paulo de Azevedo Ltda).

_________. (1963). Pedaços da fome. São Paulo: Editora Áquila Ltda.

_________. (s/data). Provérbios. São Paulo: s/editora.

_________. (1986). Diário de Bitita. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

The Unedited Diaries of Carolina Maria de Jesus. Ed. By Robert M. Levine & Jose Carlos Sebe Bom Meihy. Trans. By Nancy P. S. Naro & Cristina Mehrtens: New Brunswick, NJ: Rutgers University Press, 1999. 224 pp. Hard cover, 39.95 [pounds sterling]; paperback 15.95 [pounds sterling].

quarto dedespejo


[1] MÚSICAS: RÁ-RE’ RI RO’ RUA – VEDETE DA FAVELA – PINGUÇO – ACENDE O FOGO – O POBRE E O RICO – SIMPLÍCIO – O MALANDRO – MOAMBA – AS GRANFINAS – MACUMBA – QUEM ASSIM ME VER CANTANDO – A MARIA VEIO

Sobre o texto: ele foi feito em base da fala sobre a produção artística da autora apresentada no Museu Afro, 15/05/2010, em comemoração ao aniversário de 5 anos da biblioteca Carolina Maria de Jesus- SP

Sobre a autora do ensaio: ela é feminista negra, periférica e formada em letras e demografia. Contato: jackieisis@hotmail.com

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Marcha de las motas, põe em check racismo no Uruguai

El círculo se estrecha

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Fotografía: Nairí Aharonian

19.12.2012 08:48

Hoy se realiza la “Marcha de las motas”, la movilización que se organizó en repudio a la agresión a Tania Ramírez. El taxista que transportó a las agresoras de Ramírez prestó testimonio, gracias a lo cual, según versiones de prensa, la Policía pudo visitar los domicilios de tres de las agresoras. Las mismas habrían viajado al interior.

Hoy se realiza la “Marcha de las motas”, la movilización que se organizó para repudiar la agresión a Tania Ramírez, funcionaria del Ministerio de Desarrollo Social (Mides) y activista por los derechos de la población afrodescendiente. La actividad cuenta con el apoyo de diferentes instituciones sociales, organismos del Estados y todos los partidos políticos.

La marcha parte a las 18 horas desde el Obelisco y recorrerá 18 de Julio hasta la Universidad de la República. En caso de lluvia, la actividad se suspende para el día jueves.

A nivel judicial, el taxista que transportó a las mujeres que agredieron a Ramírez a la salida del boliche Azabache, prestó testimonio ante la Policía. El trabajador se presentó voluntariamente ante las autoridades y quedó en libertad.

En cuanto a la investigación policial, el subjefe de Relaciones Públicas, Álvaro De Lorenzo, dijo a Montevideo Portal que dos de las agresoras ya fueron identificadas. Según una versión que maneja hoy Unoticias, la policía visitó los domicilios de tres de las cinco mujeres buscadas por la golpiza. Se trata de una mujer de 25, su madre de 45 y otra de 26, que viven en Malvin, Gruta de Lourdes y Piedras Blancas, pero que decidieron irse al interior para evitar pasar las fiestas en prisión.

El jefe de Relaciones Públicas de la Policía, José Luis Rondán, dijo a Montevideo Portal que si bien no hay información oficial al respecto, la localización de los domicilios podría haberse logrado a través del testimonio del taxista que transportó a las agresoras.

País racista

El martes, Elizabeth Suárez, integrante de Mizangas, dijo a Montevideo Portal que “de alguna manera esta situación que se evidencia a nivel de los medios, es porque Tania era conocida públicamente. Entendemos que no es un caso aislado. Es un caso de los tantos de discriminación que existen a nivel nacional. Es aberrante y una vergüenza. Estamos satisfechos por la respuesta obtenida, y entendemos que la sociedad está asqueada con estas situaciones que transitan con total impunidad”.

La integrante de Mizangas, considera que “Uruguay es sin lugar a duda un país racista”.

Movilización de Mizangas

Este lunes se pronunció el gobierno a través de un comunicado del Ministerio de Desarrollo Social (Mides) en el que convocó “a toda la ciudadanía a participar de la movilización de Mizangas”.

El Mides expresó “su más absoluto rechazo” a la “brutal acción de motivación racista”, por lo que decidió instar a la población a asistir a la movilización “por justicia y contra el racismo”.

También se pronunciaron las organizaciones Mundo Afro y la Casa de la Cultura Afrouruguaya. Ambas manifestaron su repudio a la agresión a Ramírez y su compromiso por el esclarecimiento de los hechos, a la vez que llamaron a participar de la manifestación del miércoles próximo.

Por su parte, el Comité Central Israelita del Uruguay condenó este lunes “el brutal atentado racista contra la joven Tania Ramírez”.

También la B’nai B’rith se sumó a la indignación por el ataque a Ramírez y pidió que se le aplique a los responsables “todo el peso de las normas”. Esta organización judía será otra de las participantes de la concentración.

En tanto, el Partido Nacional y el Partido Colorado resolvieron apoyar las convocatorias. Los blancos lo resolvieron esta mañana en la sesión de su directorio, según informó la dirigente Beatriz Argimón. Por su parte, el Comité Ejecutivo Nacional del Partido Colorado emitió una declaración en que manifestó su rechazo a “las situaciones de violencia que conmocionan a la sociedad uruguaya” y sumó su adhesión a la convocatoria.

Desde el Partido Independiente, su presidente, Pablo Mieres, planteó a todos los partidos su iniciativa a unirse a una manifestación, lo que recibió una respuesta positiva de blancos, colorados y frenteamplistas.

Montevideo Portal

Retirado de: http://www.montevideo.com.uy/notnoticias_187540_1.html

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8 de Março: conquistas e controvérsias, por Eva Blay

(Este artigo foi publicado na Revista de Estudos Feministas, vol 9)

Resumo:  O Dia Internacional da Mulher foi  proposto por  Clara Zetkin em 1910 no II Congresso Internacional de  Mulheres Socialistas. Nos anos posteriores a  1970  este Dia  passou a ser associado erroneamente a um incêndio que ocorreu em Nova Iorque em 1911. Neste artigo procuro recuperar  a história do  Dia 8 de Março e as distorções que tem sido feitas  sobre ele e sobre  a luta feminista.

Palavras chave: história do feminismo, operárias judias; operarias italianas; política, movimentos sociais.

O dia 8 de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher. Atualmente tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons para uns. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre  homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

 

As mulheres faziam parte das “classes perigosas”

No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o  trabalho fabril era realizado por  homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12, 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e freqüentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta,  operárias e operários considerados como as “classes perigosas”.[1] Sucediam-se as manifestações de trabalhadores, por melhores salários, pela redução das jornadas e pela  proibição do trabalho infantil.  A cada  conquista, o movimento operário iniciava outra fase de reivindicações, mas em nenhum momento, até por volta de 1960, a luta sindical teve o objetivo de que homens e mulheres  recebessem salários iguais, pelas mesmas tarefas.[2] As trabalhadoras participavam das lutas gerais mas, quando se tratava da igualdade salarial, não eram consideradas. Alegava-se que as demandas das mulheres afetariam a “luta geral”, prejudicariam o salário dos homens e, afinal, as mulheres apenas “completavam” o salário masculino.

Subjacente aos grandes movimentos sindicais e políticos emergiam outros, construtores de uma nova consciência do papel da mulher como trabalhadora e cidadã. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Clara Lemlich, Emma Goldman,[3] Simone Weil[4] e outras militantes dedicaram suas vidas ao que posteriormente se tornou o movimento feminista.

 

Clara Zetkin propôs o Dia Internacional da Mulher

Clara Zetkin (1857-1933), alemã, membro do Partido Comunista Alemão,  deputada em 1920, militava junto ao  movimento operário e se dedicava à conscientização feminina. Fundou e dirigiu a revista Igualdade, que durou 16 anos (1891-1907).

Líderes do movimento comunista como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai ou anarquistas como Emma Goldman lutavam pelos direitos das mulheres trabalhadoras, mas o direito ao voto as dividia: Emma Goldman[5] afirmava que o direito ao voto não alteraria a condição feminina se a mulher  não modificasse sua própria consciência.

Ao participar do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem, em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher sem definir uma data precisa.[6]. Contudo, vê-se erroneamente afirmado no Brasil e em alguns países da América Latina que  Clara teria proposto o 8 de Março para lembrar operárias mortas num incêndio em Nova Iorque em 1857. Os dados a seguir demonstram que os fatos se passaram de maneira diferente.

O movimento operário nos Estados Unidos

Assim como na Europa, era intenso o movimento trabalhador nos Estados Unidos desde  a segunda metade do século XIX,  sobretudo nos setores da produção mineira e ferroviária e no de tecelagem e vestuário.

A emergente economia industrial norte-americana, muito instável, era marcada por crises. Nesse contexto, em 1903 formou-se, pela ação de sufragistas e de profissionais liberais, a Women’s Trade Union League[7] para organizar trabalhadoras assalariadas. Com as crises industriais de 1907 e 1909 reduziu-se o salário dos trabalhadores, e a oferta de mão-de-obra era imensa, dada a numerosa imigração proveniente da Europa. Grande parte dos operários e operárias era de imigrantes judeus, muitos com um passado de militância política.

No último domingo de fevereiro de  1908, mulheres socialistas dos Estados Unidos fizeram uma manifestação a que chamaram Dia da Mulher, reivindicando o direito ao voto e melhores condições de trabalho. No ano seguinte, em Manhatan, o Dia da Mulher reuniu 2 mil pessoas.[8]

Problemas muito conhecidos do operariado latino-americano impeliam trabalhadores e trabalhadoras a aderir às manifestações públicas por salários e pela  redução do horário de trabalho. Embora o setor industrial tivesse algumas grandes empresas, predominavam as pequenas, o que dificultava a agregação e unicidade das reivindicações. O movimento por uma organização sindical era intenso e liderado no setor de confecções e vestuário por trabalhadores judeus com experiência política sindical, especialmente da União Geral dos Trabalhadores Judeus da Rússia e da Polônia (Der Alguemayner Yiddisher Arbeterbund in Russland un Poyln – BUND)[9].

Para desmobilizar o apelo das organizações e controlar a permanência  dos trabalhadores/as, muitas fábricas trancavam as portas dos estabelecimentos durante o expediente, cobriam os relógios e controlavam a ida aos banheiros. Mas as difíceis condições de vida e os baixíssimos salários eram forte incentivo para a presença de operários e operárias nas manifestações em locais fechados ou na rua.

Uma das fábricas, a Triangle Shirtwaist Company (Companhia de Blusas Triângulo), para se contrapor à organização da categoria,  criou  um sindicato interno para seus trabalhadores/as. Em outra fábrica, algumas trabalhadoras que reclamavam contra as condições de trabalho e salário foram despedidas e pediram  apoio ao United Hebrew Trade, Associação de Trabalhadores Hebreus. Então as trabalhadoras da Triangle quiseram retirar alguns recursos do sindicato interno para ajudar as companheiras mas não o conseguiram. Fizeram piquetes na porta da Triangle, que contratou prostitutas para se misturarem às manifestantes,  pensando assim dissuadi-las de seus propósitos. Ao contrário, o movimento se fortaleceu.

Uma greve geral começou a ser considerada pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Hebreus, Bernardo Weinstein, sempre com o objetivo de  melhorar as condições de trabalho da indústria de roupas. A idéia se espalhou e, em  22 de novembro de 1909, organizou-se  uma grande reunião na Associação dos Tanoeiros liderada por Benjamin Feigenbaum e pelo Forward.[10] A situação era extremamente tensa e, durante a reunião, subitamente uma adolescente, baixa,  magra, se levantou e pediu a palavra: “Estou cansada de  ouvir oradores falarem em termos gerais. Estamos aqui para decidir se entramos em greve ou não. Proponho que seja declarada uma greve geral agora!” . A platéia apoiou de pé a moção da jovem  Clara Lemlich.[11]

Política e etnia

No movimento dos trabalhadores as relações étnicas tinham peso fundamental, razão pela qual, para  garantir um compromisso com a greve, Feigenbaum usou  um argumento de extraordinária importância religiosa para os judeus. Ele perguntou à assembléia: “Vocês se comprometerão com o velho mandamento judaico?”  Uma centena de mãos se ergueram e todos gritaram: “Se eu esquecer de vós, ó Jerusalém, que eu perca  minha mão direita”.[12] Era um juramento de que não furariam a greve.

Cerca de 15 mil trabalhadores do vestuário, a maioria moças, entraram em greve, provocando o fechamento de mais de 500 fábricas. Jovens operárias italianas aderiram, houve prisões, tentativas de contratar novas trabalhadoras, o que tornou o clima muito tenso. A direção da greve ficou com a Associação dos Trabalhadores Hebreus e com o Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confecção de Roupas de Senhoras (International Ladies’ Garment Workers’ Union – ILGWU).[13]

À  medida que as grandes empresas cederam algumas reivindicações, a greve foi se esvaziando e se encerrou em 15 de fevereiro de 1910 depois de 13 semanas.

O incêndio

Pouco tinha sido alterado, sobretudo nas fábricas de pequeno e médio porte, e os movimentos reivindicatórios retornaram. A reação dos proprietários repetia-se: portas fechadas durante o expediente, relógios cobertos, controle total, baixíssimos salários, longas jornadas de trabalho.

O  dia 25 de março de 1911 era um sábado, e às 5 horas da tarde, quando  todos trabalhavam, irrompeu um grande incêndio na Triangle Shirtwaist Company,[14] que se localizava na esquina da Rua Greene com a Washington Place.   A Triangle ocupava os três últimos de um prédio de dez andares. O chão e as  divisórias eram de madeira, havia grande quantidade de tecidos e retalhos, e a instalação elétrica era precária. Na hora do incêndio, algumas  portas da fábrica estavam fechadas. Tudo contribuía para que o fogo se propagasse rapidamente.

A Triangle empregava 600 trabalhadores e trabalhadoras, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, jovens de 13 a 23 anos. Fugindo do fogo, parte das trabalhadoras  conseguiu alcançar as escadas e desceu para a rua ou subiu para o telhado. Outras desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram e   trabalhadores/as pularam pelas janelas, para a morte. Outras morreram nas próprias máquinas. O Forward publicou terríveis depoimentos de testemunhas e muitas fotos.[15]

Morreram  146 pessoas,  125 mulheres e 21 homens, na maioria judeus.

A comoção foi imensa. No dia 5 de abril houve um grande funeral coletivo que se transformou numa demonstração trabalhadora. Apesar da chuva, cerca de 100 mil pessoas acompanharam o enterro pelas ruas do Lower  East Side. No Cooper Union  falou Morris Hillquit e no Metropolitan Opera House, o rabino reformista Stephen Wise.

A tragédia teve conseqüências para as condições de segurança no trabalho e sobretudo serviu para fortalecer o ILGWU.

Para autores como Sanders,[16] todo o processo, desde a greve de 1909, mais o drama do incêndio da Triangle, acabou fortalecendo o reconhecimento dos sindicatos. O ILGWU, de conotação socialista e um dos braços mais ‘radicais’ do American Federation of Labour (AFL), se tornou o maior e mais forte dos  Estados Unidos naquele momento.

Atualmente no local onde se deu o  incêndio foi construída a Universidade de Nova Iorque . Uma placa, lembrando o terrível episódio, foi lá colocada:

“Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores perderam suas vidas no incêndio da Companhia de Blusas Triangle. Deste martírio resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que ajudaram a tornar as condições de trabalho as melhores do mundo (ILGWU)”.[17]

Mulheres e movimentos sociais

No século XX, as mulheres trabalhadoras continuaram a se manifestar em várias partes do mundo: Nova Iorque, Berlim, Viena (1911); São Petersburgo (1913). Causas e datas  variavam.  Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiana, perto de Oslo, contra a guerra.  Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher. Em 8 de março 1917 (23 de fevereiro no Calendário Juliano), trabalhadoras russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Para Trotski esta teria sido uma greve espontânea, não organizada,[18] e teria sido o primeiro momento da  Revolução de Outubro.

Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente  escolhido como o dia comemorativo da mulher e se consagrou nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em conseqüência do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.

Lenin: o que importava era a política de massas e não o direito das mulheres

Mulheres e homens jovens tinham muitas outras preocupações além das questões trabalhistas e do sistema político. Nem sempre a liderança comunista entendia essas necessidades, como foi o caso de Lenin e de muitos outros líderes. Em seu Diário, Clara Zetkin  relata o que ouvira do camarada e amigo Lenin, ao visitá-lo no Kremlin, em 1920.[19] Lenin lamentava o descaso pelo Dia Internacional da Mulher que ela propusera em Copenhagem, pois este teria sido um oportuno momento para se  criar um movimento de ‘massa’, internacionalizar os propósitos da  Revolução de 17, agitar mulheres e jovens. Para alcançar este objetivo, afirmava ele, era necessário discutir exclusivamente os problemas políticos e não perder tempo com aquelas discussões que os jovens trabalhadores traziam para os grupos políticos, como  casamento e sexo.[20] Lenin  estendia suas críticas ao trabalho de Rosa Luxemburgo com prostitutas: “Será que Rosa Luxemburgo não encontrava trabalhadores para discutir, era necessário buscar as prostitutas?”[21]

Esta visão de Lenin fez escola na esquerda. A experiência do ‘amor livre’ nos primeiros anos pós-Revolução trouxe enormes conflitos que levaram à restauração do sistema de família regulamentado pelo contrato civil. Temas relativos ao corpo, à sexualidade, à reprodução humana, relação afetiva entre homens e mulheres, aborto, só foram retomados 40 anos mais tarde pelo movimento feminista.

 

O 8 de Março no Brasil

No Brasil vê-se repetir a cada ano a associação entre o  Dia Internacional da Mulher e o incêndio na Triangle quando na verdade  Clara Zetkin o tenha proposto em 1910, um ano  antes do incêndio. É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres. Mas  o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo  elaborado pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin.

Nas primeiras décadas do século XX, o grande tema político foi a reivindicação do direito ao voto feminino. Berta Lutz, a grande líder sufragista brasileira, aglutinou um grupo de mulheres da burguesia para divulgar a demanda. Ousadas, espalharam de avião panfletos sobre o Rio de Janeiro, pedindo o voto feminino,  no início dos anos 20! Pressionaram deputados federais e senadores e se dirigiram ao presidente Getúlio Vargas. Afinal, o direito ao voto feminino foi concedido em 1933 por ele e garantido na Constituição de 1934.[22]  Mas só veio a ser posto em prática com a queda da ditadura getulista, e as mulheres brasileirasvotaram pela primeira vez em 1945.

Em 1901, as operárias, que juntamente com as crianças constituíam 72,74% da mão-de-obra do setor têxtil, denunciavam que ganhavam muito menos do que os homens e faziam a mesma tarefa, trabalhavam de 12 a 14 horas na fábrica e muitas ainda trabalhavam como costureiras, em casa. Como mostra Rago, a jornada era de umas 18 horas e as operárias eram consideradas incapazes física e intelectualmente. Por medo de serem despedidas, submetiam-se também à exploração sexual.

Os jornais operários, especialmente os anarquistas, reproduziam suas reclamações contra a falta de higiene nas fábricas, o assédio sexual, as péssimas condições de trabalho, a falta de pagamento de horas extras, um sem número de abusos. Para os militantes operários, a fábrica era um local onde as mulheres facilmente se prostituíam, daí  reivindicarem a volta das mulheres para casa. Patrões, chefes e empregados partilhavam dos mesmos valores: olhavam as trabalhadoras como prostitutas.[23]

Entre as militantes das classes mais altas, a desqualificação  do operariado feminino não era muito diferente: partilhavam a imagem generalizada de que operárias eram mulheres ignorantes e incapazes de produzir alguma forma de manifestação cultural. A distância entre as duas camadas sociais impedia que as  militantes burguesas conhecessem a produção cultural de anarquistas como Isabel Cerruti e Matilde Magrassi, ou o desempenho de Maria Valverde em teatros populares como o de Arthur Azevedo[24].

Como as anarquistas americanas e européias, as brasileiras (imigrantes ou não) defendiam a luta de classes mas também o divórcio e o amor livre, como escrevia  A Voz do Trabalhador de 1° de fevereiro de 1915: “Num mundo em que mulheres e homens desfrutassem de condições de igualdade… Vivem juntos porque se querem, se estimam no mais puro, belo e desinteressado sentimento de amor”.[25]

A distinção entre anarquistas e comunistas foi fatal para uma eventual aliança: enquanto as comunistas lutavam pela implantação da “ditadura do proletariado”, as anarquistas acreditavam que o sistema partidário reproduziria as relações de poder, social e sexualmente hierarquizadas.

No PC a diferenciação de gênero continuava marcante: as mulheres se encarregavam das tarefas ‘femininas’ na vida quotidiana do Partido. Extremamente ativas, desenvolveram ações externas de organização sem ocupar qualquer cargo importante na hierarquia partidária. Atuavam, por exemplo, junto a crianças das favelas ou dos cortiços, organizavam colônias de férias, supondo que poderiam ensinar às crianças novos valores.

Zuleika Alembert, a primeira mulher a fazer parte da alta hierarquia do PC, eleita deputada estadual por São Paulo em 1945, foi expulsa do Partido quando fez críticas feministas denunciando a sujeição da mulher em seu próprio partido.

O feminismo dos anos 60 e 70 veio abalar a hierarquia de gênero dentro da esquerda. A luta das mulheres contra a ditadura de 1964 uniu, provisoriamente, as feministas e as que se autodenominavam membros do ‘movimento de mulheres’. A uni-las, contra os militares, havia uma data: o 8 de Março. A comemoração ocorria através da luta pelo retorno da democracia, de denúncias sobre prisões arbitrárias, desaparecimentos políticos.

A consagração do direito de manifestação pública veio com o apoio internacional – a ONU instituiu, em 1975, o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Entrou-se numa nova etapa do feminismo. Mas velhos preconceitos permaneceram nas entrelinhas. Um deles talvez seja a confusa história propalada do 8 de Março, em que um anti-americanismo apagava a luta de tantas mulheres, obscurecendo até mesmo suas origens étnicas.

Referências bibliográficas

Alves, Branca Moreira. Ideologia e feminismo: a luta pelo voto feminino no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980.

 

Bosi, Ecléa. Simone Weil: a razão dos vencidos. São Paulo: Brasiliense, 1982.

Chevalier, Charles. Classes laborieuses et classes dangereuses à Paris pendant la première moitié du XIXe. siècle. Paris: Hachette, 1984

Chombart de Lauwe, M.J;  Chombart de Lauwe , Paul Henri et alii. La femme dans la sociétè: son image dans différents milieux sociaux.Paris: CNRS, 1963.

Howe, Irving; Libo, Kenneth. How We Lived.  A Documentay History of Immigrant Jews in America. 1880-1930.USA: Richard Marek Publishers, 1979.

Isis Creation for the Australian Women’s Inta network.. Internet. A History of International Women’s Day Origins. http://www.isis.aust.com/iwd.

Lobo, Elisabeth Souza . Emma Goldman: a vida como revolução. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Marin, Alexandra Ayala. “Caja de Pandora”. Clara Zetkin. Entrevista dada para UNIFEM. Ver. www4.ecua.net.ec/unifem/verscon3/entrevsta.htm   (verificar)

Minczeles, Henri. Histoire générale du BUND, un mouvement révolutionnaire juif.Paris: Austral, 1995.

Sanders, Ronald. The Dowtown Jews. Portraits of an Immigrant Generation.New York: Dover Publications, Inc., 1987.

Shepherd, Naomi. A Price Below Rubies. Jewish Women as Rebels and Radicals.HarvardUniversity Press.Cambridge.Massachusetts, 1993.

Zetkin, Clara . My Recollections of Lenin ( An Interview on Woman Question) Apêndice pp. 87-122  in V.I. Lenin. The Emancipation of Women .  International Publishers.New York. 1972 ( a primeira edição é de 1934). SBN 7178-0290-6

Rago, Margareth.  Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar. 1890-1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

 Dados biográficos da Autora.

Eva Alterman Blay

Profa Titular de Sociologia da Universidade de São Paulo. Coordenadora Científica do NEMGE ( Núcleo de estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero) da USP. Autora de  “Trabalho Domesticado- a mulher na indústria paulista” ( Ática, 1978;)  As Prefeitas, Avenir (s/d) ,e outros livros e artigos sobre gênero, habitação operária, participação política. Foi Senadora da República  entre 1992/1994.


[1] Chevalier, 1984.

[2] Chombart dee Lauwe., M.J ;m Chombart de Lauwe,  Paul Henri et alii, 1963.

[3] Lobo, 1983.

[4] Bosi, 1982.

[5] Lobo, 1983.

[6] Em alguns países o Dia foi comemorado em 28 de fevereiro ou em 15 de março.

[7] Sobre a Women’s Trade Union League, ver também Shepherd, 1993, p. 247-258.

[8] Isis Creation for the Australian Women’s Inta network. A History of International Women’s Day Origins. http://www.isis.aust.com/iwd.

[9] Minczeles, 1995.

[10] Jornal de esquerda escrito parcialmente em ídiche. Forward tem sido traduzido por Avante.

[11] Sanders, 1987, p. 400.

[12] Sanders, 1987, p. 396-400.

[13] Esta greve foi encerrada em 15 de fevereiro de 1910, pois os trabalhadores das grandes empresas conquistaram melhorias.

[14] Sanders, 1987, p. 394.

[15] Howe e Libo,  1979, p. 186.

[16] Sanders, 1987.

[17] Sanders, 1987, p. 393.

[18] Para outros, esta manifestação contra a fome, o czarismo e a guerra teria sido orientada pelo comitê bolchevista de Petrogrado.

[19] Devo o acesso ao texto de Clara Zetkin à sempre companheira Judith Patarra.

[20] Zetkin, 1934 p. 97.

[21] Zetkin, 1934 p.99.

[22] Alves, 1980.

[23] Rago, 1987.

[24] Agradeço a  Miriam  Moreira Leite a contribuição para a inclusão destes dados e pela revisão do texto.

[25] Rago, 1987, p. 104.

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Marcha das Vadias na USP 25/11

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