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Universidades públicas: Meritocracia justa ou injusta?

Matéria da Folha Dirigida da semana de 30/1 a 5/2/2012
Universidades públicas: Meritocracia justa ou injusta?
(Matéria da Folha Dirigida da semana de 30/1 a 5/2/2012)
A USP, maior universidade do Brasil e uma das cem melhores do mundo, completou 78 anos, com uma história de  contradições junto ao povo brasileiro e, principalmente, negro e pobre. A USP insiste em ignorar que São Paulo é o estado com a maior população negra do Brasil. Cabe perguntar: quem se alegra e comemora o aniversário dessa universidade? Quem ganhou e ganha com ela?
Longe do lugar-comum de que “o rigor da meritocracia” é fundamental para o bom desempenho da universidade, e isto impede que haja negros e pobres nos campi, é preciso ir além. Deve-se perguntar o que provocou a exclusão dos negros e pobres. Será que os dirigentes da USP já refletiram que existe a meritocracia justa e a injusta? Não seria este o instrumento perverso de exclusão?
Todos sabem que há negros na comunidade da USP, mas são ignorados pelos demais, invisíveis à maioria dos alunos, professores e dirigentes. Os negros e pobres são os trabalhadores da universidade, aqueles que movem as engrenagens das inúmeras atividades — da limpeza à burocracia. São homens e mulheres que trabalham sem qualquer esperança de um dia eles ou seus filhos usufruírem da universidade, que é pública e paga por seus impostos.
A USP é mantida pela arrecadação do ICMS – um imposto que incide sobre toda compra e venda, principalmente da passagem de ônibus, do arroz, do feijão, etc., e pago por todos nós, principalmente os pobres. Ora, se todos consomem, e há muito mais pobres do que ricos, é gritante que a USP – com sua estrutura visivelmente elitizada – é mantida por quem, no atual modelo se seleção, jamais conseguirá nela estudar. Em uma frase: é uma instituição mantida majoritariamente pelos pobres, e desfrutada em grande parte pelos ricos, que não devolvem quase nada ao saírem formados. Mais de 80% dos matriculados vêm de escolas particulares, quando, no Brasil, 88% do que terminam o ensino médio saem de escolas públicas!
Mesmo sem que tudo isso esteja explícito, não é de se admirar que o pobre povo pobre ignore a USP e a classifique como “reduto dos ricos”. A população apenas ignora, retribuindo a indiferença que recebeu nestes últimos 78 anos. Porém, o povo, através da Educafro e outras entidades de articulação comunitária, precisa se fortalecer e fazer mudar esta realidade.
É inadmissível que, ao lado do maior campus da USP – a Cidade Universitária – exista uma enorme favela, que nasceu e se desenvolveu paralelamente à história do campus. É inaceitável saber que os moradores tenham como única forma de adentrar naquelas avenidas e alamedas arborizadas o crachá de funcionário terceirizado da faculdade – uma forma moderna de continuar escravizando os trabalhadores das camadas mais sofridas da sociedade.
É chegada à hora de a universidade pública cumprir seu papel de instituição verdadeiramente democrática e capaz de proporcionar melhores oportunidades para todos os brasileiros que pagam por ela. A USP não pode ficar no falso dilema de que mudar as regras do seu vestibular é rebaixar o nível da instituição. Ir contra a política de cotas é ir na contramão da História, visto que os cotistas negros e brancos estão concluindo seus cursos com média acadêmica igual ou superior aos não cotistas.
Os 78 anos da USP é também uma triste celebração de quase oito décadas de descaso com o povo negro e pobre de São Paulo e do Brasil. Excluído dos melhores postos de trabalho do país, de maneira deliberada, por políticas que não respeitam a diversidade étnica na contratação, como a São Paulo Fashion Week, pensadas e mantidas por políticos, os quais, outrora sentaram nos bancos de escolas, que comungam das mesmas ideias ultrapassadas. Lutamos para que a atual reitoria e conselho universitário da Universidade de São Paulo defendam estes novos paradigmas.
Na celebração dos 78 anos da USP trabalhemos para que ela reescreva sua história, de modo que todos possam participar como iguais, formados por uma instituição verdadeiramente pública. Sua qualidade pública não pode ser medida só pelas verbas que entram, mas também pelas pessoas que têm ingresso garantido, sem privilégios para os “bem-nascidos”.
Que ela reescreva sua história em páginas, nas quais todos possam participar como iguais, formados por uma instituição verdadeiramente pública. Sua qualidade pública não pode ser medida só pelas verbas que entram, mas pelas pessoas que tem seus ingressos garantidos, sem prioridade aos eurodescendentes. Assim a USP poderá estar repetindo a prática das grandes universidades do mundo, como Harvard, que tem programas de matrículas contemplando a diversidade étnica e geopolítica.
Frei David Santos é diretor da Educafro.
Daniel Chignoli é acadêmico de Direito.
Reinaldo João de Oliveira é mestre em Teologia.
 
* * *
Mais informações e repercussões por outra fonte: 
Jornal do Campus da USP
  
Movimento negro critica meritocracia da USP
cerebros e racismos.JPG


Frei David Santos OFM
(11) 6173 3341 cel Claro
(11) 3107 5024 trab

Visite o site:   www.educafro.org.br

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CARTA ABERTA DA ARTICULAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS PARA A SUA EXCELÊNCIA SRA. DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTA DA REPÚBLICA.

 
CARTA ABERTA DA ARTICULAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS PARA A SUA EXCELÊNCIA SRA. DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTA DA REPÚBLICA.
 
 
 
Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff
 
 
A luta das mulheres negras brasileiras tem sido ininterrupta ao longo destes cinco séculos de existência de nosso país. Somos nós as maiores vítimas da profunda desigualdade racial que vigora na sociedade brasileira. É sobre nós que recai todo o peso da herança colonial, onde o sistema patriarcal apoia-se solidamente com a herança do sistema escravista.
 
A interseccionalidade do racismo, sexismo, das desigualdades econômicas e regionais produz em nossas vidas um quadro de destituição, injustiça e exclusão, aprofundados pela expansão mundial do neoliberalismo e suas formas de ataque à capacidade dos estados democráticos em nos oferecer as condições mínimas de bem estar.
 
Todo e qualquer avanço ocorrido em nossas vidas deve-se a luta, sem tréguas que conquistamos. É neste cenário de busca do empoderamento de nós, mulheres negras, que surge a AMNB em 2001. Entendendo que todas as denúncias já haviam sido feitas, e que era momento de fazer com que o Brasil passasse a reparar a imensa dívida contraída com a população negra, especialmente com as mulheres negras, que a AMNB participa, de forma protagônica, da construção e da realização da III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância em 2001, em Durban, na África do Sul.
 
É importante destacar que o governo brasileiro é signatário do Relatório e do Plano de Ação produzidos, comprometendo-se, oficialmente com a sua execução. O Brasil, em 2006, no Chile, participa da Conferência que ratificou as decisões da Conferência de Durban. No dia 21 de setembro de 2011, em Nova Iorque, o governo brasileiro, representado pela Ministra Luiza Bairros, esteve presente na Comemoração dos 10 Anos da Conferência de Durban. Fruto da luta do povo negro no mundo, a escravidão foi considerada crime de lesa humanidade, e os países que se nutriram deste regime devem responsabilizar-se pela elaboração e pela implementação de políticas, que visem reparar os danos causados a milhões de pessoas pelo regime escravista.
 
Embora um tanto aquém de nosso desejo, a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) no ano de 2003, representou e representa um avanço no processo de construção de uma democracia substantiva, pois, significa a concretização de uma das  importantes  demandas do movimento negro  e de mulheres negras  junto ao Estado brasileiro, um dos (co) responsáveis pelos séculos de  escravismo e  manutenção de mecanismos de subalternização da população negra até hoje – inclusive através do racismo institucional .
 
É a partir deste cenário que nós Mulheres Negras, dirigimo-nos a Vossa Excelência para manifestar nossa apreensão face às notícias de extinção e ou alteração de espaços governamentais importantes para as mulheres negras.
 
A AMNB manifesta-se publicamente em defesa da manutenção da Secretaria de Políticas Para as Mulheres – SPM -, do Ministério dos Direitos Humanos – MDH – e da Secretaria Especial de Políticas Para Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR – a fim de  que o Brasil possa cumprir todos os protocolos, todas as decisões, todos os acordos e todos os planos de ações das conferências que o país subscreveu, para efetivamente promover a equidade de gênero, de raça e respeitar os direitos humanos das mulheres negras brasileiras. A AMNB ressalta que somente com a existência de espaços governamentais específicos, com políticas públicas direcionadas aos setores, até aqui, excluídos, é que as mulheres, sobretudo, as mulheres negras terão acesso à cidadania.
 
Certas do compromisso de seu governo com os direitos das mulheres de nosso país, manifestado por Vossa Excelência, em seu discurso de posse que emocionou de norte a sul do Brasil, as mulheres de diferentes idades, credos, orientações sexuais, identidade de gênero, raças e religiões ao dizer:
(..)  “Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia”, e naquele momento todas as mulheres em pensamento, palavras e orações lhes mandaram a desejada energia. 
E como primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), mais uma vez, Vossa Excelência demonstrou o seu compromisso com as mulheres do Brasil e do mundo ao dizer (..) “ Vivo este momento histórico com orgulho de mulher. Tenho certeza que este será o século da mulher.”.
 
Assim, a AMNB, através de suas organizações filiadas, despede-se reforçando a manifestação e o desejo pela continuidade da SPM, SEPPIR e SDH e, solicitando a Vossa Excelência, um pronunciamento à nação, garantindo a todas brasileiras a permanência dessas Secretarias, garantindo assim, o compromisso com as Mulheres Negras Brasileiras.
 
 
 
Atenciosamente,
 
ACMUN – Associação Cultural de Mulheres Negras – RS
Bamidelê – Organização de Mulheres Negras da Paraíba – PB
CACES – RJ
Casa da Mulher Catarina – SC
Casa Laudelina de Campos Melo – SP
CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – PA
Coletivo de Mulheres Negras Esperança Garcia – PI
CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas – MG
Criola –  RJ
Grupo de Mulheres Felipa de Sousa – BA
Geledés – Instituto da Mulher Negra – SP
Grupo de Mulheres Negras Mãe Andressa – MA
Grupo de Mulheres Negras Malunga – GO
IROHIN – DF
IMENA – Instituto de Mulheres Negras do Amapá – AP
INEGRA – Instituto Negras do Ceará – CE
Instituto AMMA Psique e Negritude – SP
Kuanza – RJ
Kilombo – RN
Maria Mulher – Organização de Mulheres Negras – RS
Mulheres em União – MG
NZINGA – Coletivo de Mulheres Negras de Belo Horizonte – MG
Observatório Negro – PE
Rede de Mulheres Negras do Paraná – PR
Uiala Mukaji – Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco –  PE 

SECRETARIA EXECUTIVA AMNB
AMNB – Articulação de Organizações  de Mulheres Negras Brasileiras
Rua Vigário José Inácio, 371/sala 1919 – Centro –
CEP: 90028-900- Porto Alegre/RS – acmun_acmun@yahoo.com.br
Telefones: (51) 3062.7009    (51)84042118

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Nota em Defesa da SPM e SEPPIR

 

Dilma estuda criar Ministério dos Direitos Humanos

 
O Palácio do Planalto já começa a elaborar o projeto que modifica a estrutura de parte dos ministérios, a reforma administrativa, que deve sem implantada a partir do ano que vem. Segundo matéria do jornal O Globo, a presidente Dilma Rousseff pretende criar o Ministério dos Direitos Humanos, que irá agregar em uma única pasta a secretaria que hoje trata do assunto, atualmente ocupada pela ministra Maria do Rosário, e outras três pastas especiais: Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Secretaria Nacional da Juventude. A Fundação Nacional do Índio (Funai), atualmente vinculada ao Ministério da Justiça, iria ser transferida para esta nova pasta. A ideia é diminuir os gastos públicos, e usa como critérios o desempenho e a relevância das secretarias a serem extintas. Segundo o jornal, Rosário seria a comandante da nova pasta.

(Bahia Notícias)

Prezadas amigas e companheiras de luta,

A matéria acima é o resumo de uma série de notícias veiculadas na imprensa brasileira nas últimas semanas. Os paladinos do “estado mínimo” voltam à carga, toda vez que se conjectura uma possível modificação na estrutura de govrno.
Diante da “montagem” feita por alguns/algumas jornalistas, dos grandes veículos de comunicação, que se intitulam porta-vozes da reforma ministerial, algumas perguntas não devem calar:
A quem interessa essa “reforma” que tenta agregar alguns ministérios?
A quem interessa reduzir as políticas reconhecidas pelo Estado como fundamentais para a consolidação da democracia, conquistadas depois de muitos anos de luta do movimento feminista, de mulheres e do movimento negro?
A quem interessa a “redução” da dimensão política do enfrentamento ao racismo e ao sexismo?
A quem interessa ignorar qua as mulheres e os(as) negros(as) são a maioria do povo brasileiro e que paradoxalmente (para não usar outra palavra) estão nos estratos de renda mais baixos da nossa sociedade?
A quem interessa “diliuir” a violência contra a mulher, forma brutal em que o patriarcado se ancora para se manter vivo, em políticas de proteção aos direitos humanos?
A quem interessa ignorar a morte de centenas de jovens negros, estatísticas que não mais assustam a sociedade, de tão banalizadas pelo racismo “silencioso” em nosso país?
A quem interessa desqualificar nossas ministras, quando se levantam em defesa dos direitos e da dignidade das mulheres e dos(as) negros (as)?

COM CERTEZA NÃO DEVE INTERESSAR À PRESIDENTA DILMA – A PRIMEIRA MULHER NA PRESIDÊNCIA DO BRASIL . AFINAL ELA FOI ELEITA COMO UMA ESPERANÇA DAS MULHERES BRASILEIRAS – NEGRAS, BRANCAS, INDIGENAS, CIGANAS, LÉSBICAS OU NÃO, VIVENDO COM DEFICIÊNCIA E VIVENDO SEM DINHEIRO – QUE ACREDITARAM NA CONSOLIDAÇÃO DAS POLÍTICAS JUSTAS PARA OS GRUPOS POPULACIONAIS HISTORICAMENTE DISCRIMINADOS.

COM CERTEZA NÃO DEVE INTERESSAR TAMBÉM AO PARTIDO DAS (OS) TRABALHADORAS (ES), PELA SUA HISTÓRIA DE LUTA, PELOS PRINCÍPIOS QUE DEFENDE,  POR SEU COMPROMISSO COM A DEMOCRACIA E COM A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.

Os defensores da equação neoliberal custo x benefício, que enxergam o Estado como uma instituição a serviço das elites econômicas e não da população brasileira, vivem na contramão da História e não enxergam que ao redor de seu umbigo, os movimentos sociais se levantam, em todo o mundo, em defesa não só dos direitos (que os liberais usam em seu próprio benefício), mas em defesa da Justiça, com equidade.

O ENFRENTAMENTO AO RACISMO E AO SEXISMO – MAIS QUE UMA BANDEIRA DE LUTA DE MULHERES, NEGROS (AS), INDIGENAS E DEMAIS GRUPOS ÉTNICOS – É UMA FORMA DE FORTALECER A HUMANIDADE QUE DEVERIA (SIM, DEVERIA) EXISTIR EM CADA UMA (UM) DE NÓS.

POR ISSO, NÓS MULHERES DA EXPRESSÃO FEMINISTA DO PARTIDO DAS TRABALHADORAS, PARTIDO QUE GOVERNA ESTE PAÍS DESDE 2003, REPUDIAMOS A TENTATIVA DOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DE DESQUALIFICAR NOSSAS MINISTRAS E DE MANIPULAR AS DECISÕES DO GOVERNO BRASILEIRO, BUSCANDO O RETROCESSO.

PELO FORTALECIMENTO E PELA EFETIVAÇÃO DAS POLÍTICAS DE IGUALDADE RACIAL E DAS POLÍTICAS PARA AS MULHERES!

PELA MANUTENÇÃO E EXPANSÃO DOS MINISTÉRIOS, SECRETARIAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES E POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL!

NÃO AO RETROCESSO! AVANCEMOS NA DEMOCRACIA BRASILEIRA , NENHUM DIREITO A MENOS! MOBILIZAÇÃO JÁ!

O que você pode fazer? Escrever para a Presidenta; escrever cartas para os jornais; postar mensagens nas redes sociais; fazer um “twitaço”; mandar e.mails para organizações nacionais e internacionais; mandar mensagens solidárias para a SPM e SEPPIR; mandar e.mails para deputadas (os) federais e senadores (as); escrever para os partidos políticos aliados; buscar solidariedade com os outros movimentos sociais; escrever para organismos das Nações Unidas; e fazer mobilizações em suas cidades, escolas, bairros, sindicatos.

SPM e SEPPIR são conquistas do povo brasilei

nota do grupo: EXPRESSÃO FEMINISTA PT

 

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Bolsistas da Educafro, FORMADAS EM DIREITO são discriminadas no SUPERMERCADO COMPRE BEM

Bolsistas da Educafro, FORMADAS EM DIREITO são discriminadas no SUPERMERCADO COMPRE BEM.

“Precisamos ajudar a sociedade a combater os maus tratos
dispensados à nossa população negra.
Vamos lutar até à Vitória, afirmou o Diretor da Educafro, Frei David.”

http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u941273.shtml

09/07/2011
Mãe e filha acusam mercado de racismo

Artur Rodrigues
do Agora


Duas bacharéis em direito afirmam ter sofrido discriminação racial por parte de um segurança de um mercado da rede CompreBem, em Itaquera (zona leste de SP), na tarde de anteontem. Elas relatam que o vigia as abordou dizendo que alguém as havia visto furtando e que elas eram suspeitas por serem negras. Abalada, uma das mulheres foi parar no hospital com uma crise nervosa.


Guarda diz que não quis constranger

Edvanda de Carvalho Rodrigues, 52 anos, e a filha Aline Carvalho Murça, 27 anos, contam que compraram carne e verduras no mercado e saíram do local sem problemas. “Só percebi o segurança olhando para nós. Depois ele passou a nos perseguir”, diz Edvanda.

As mulheres afirmam que, a cerca de 300 metros do mercado, o tal vigia, o guarda-civil Vicente Donizete da Silva, 52 anos, as abordou. Segundo elas, o homem se apresentou como policial e segurança do mercado. “Ele disse: ‘Alguém viu vocês pegando uma coisa no mercado e vocês, sendo negras, são suspeitas’. Então eu comecei a passar mal”, diz Edvanda. Ela conta que o homem, que também é negro, só mudou de postura e pediu desculpas depois que ambas se identificaram como formadas em direito.

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