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linderberg alves é julgado por assassinato de Eloá. 6 homens e uma mulher como juri…

Vamos acompanhar este julgamento que poderá ser exemplar para a punição de assassinatos baseados em desigualdades de gênero.

Lindemberg Alves é julgado em Santo André

Mais forte fisicamente e sem as algemas, Lindemberg olha para o chão e para a juíza. Juri é formado por seis homens e uma mulher

Carolina Garcia, iG São Paulo 13/02/2012 10:39 – Atualizada às 13:13

Texto:

Começou por volta das 10h30 o julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar Eloá Pimentel, de 15 anos, sua ex-namorada, em 13 de outubro de 2008. O réu chegou ao fórum de Santo André por volta das 8h10 em um carro de polícia. Sentado na cadeira que vai acompanhar o júri, Lindemberg, que está mais forte do que na época em que foi preso, olha para o chão ou para a juíza na maioria do tempo e demonstra calma.

Veja imagens do julgamento de Lindemberg Alves
Crimes: 
relembre o caso Eloá
O júri: 
saiba como será o julgamento de Lindemberg
Defesa: “Ele é um bom rapaz, ingênuo”, diz advogada de Lindemberg
Mãe de Eloá: 
“A Justiça é a condenação dele”

 

Foto: AE

Lindemberg sentado no bando dos réus

 

Na primeira parte do julgamento foi feito o sorteio das pessoas que irão compor o júri. Ao todo, 25 jurados – todos residentes de Santo André – foram convocados e indicados pela Justiça. Após sorteio e as escolhas feitas pelas partes, o júri foi composto por 6 homens e uma mulher.

Após a escolha do júri, a defesa apresentou para a juíza alguns pedidos. Foram autorizadas as trocas de testemunhas que faltaram ao julgamento. O perito Nelson Gonçalves será substituído pela mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, e o depoimento da jornalista da rede Record Ana Paula Neves será trocado pelo de Everton Douglas, irmão mais novo de Eloá. Ainda foi autorizada a retirada das algemas de Lindemberg durante o julgamento. A inclusão de novos documentos aos autos do processo foi negada pela juíza.

Então foi iniciada a apresentação vídeos que as duas partes levaram ao julgamento. A acusação apresentou apenas um vídeo, já a defesa exibiu 13 até o recesso para o almoço decidido pela juíza. O julgamento deve ser retomado às 14h.

O dia

Na chegada ao férum de Santo André, apenas a advogada de defesa de Lindemberg, Ana Lúcia Assad; e a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, falaram com a imprensa. A estudante Nayara Rodrigues da Silva, baleada durante o sequestro; e Iago Vilera de Oliveira, um dos estudantes que foi mantido refém pelo acusado, entraram sem dar declarações.

Eloá foi retida em casa em uma segunda-feira, e mais de cem horas depois, na sexta-feira, morreu ao levar dois tiros. Nayara Rodrigues, 15, foi baleada no rosto, mas sobreviveu. Outros dois garotos foram liberados ilesos no primeiro dia de sequestro. Na ocasião, Lindemberg foi preso e encaminhado para o presídio de Tremembé (SP).

 

Foto: AE

A estudante Nayara Rodrigues da Silva chega ao fórum de Santo André sem falar com a imprensa

 

O julgamento

Dezenove testemunhas podem ser ouvidas durante o julgamento – cinco de acusação, arroladas pela promotora de Justiça Daniela Hashimoto, e outras 14 de defesa, convidadas pela advogada Ana Lúcia Assad. Cinco repórteres e apresentadores de emissoras de televisão, peritos criminais e policiais foram chamados pela defesa. A ideia é mostrar como a cobertura jornalística pode ter influenciado negativamente o réu.

Perfil violento e manipulador: Lindemberg estava decidido a matar Eloá, defende acusação

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Para a TV Globo, sexo sim, escândalo sim, discussão sobre limites éticos e legais no BBB não!, por Jacira Melo

17 de janeiro de 2012- retirado do site da Patricia Galvão (www.agenciapatriciagalvao.org.br)
Para a TV Globo, sexo sim, escândalo sim, discussão sobre limites éticos e legais no BBB não!, por Jacira Melo
A decisão da TV Globo de expulsar do reality show o participante Daniel sob suspeita de ter abusado sexualmente da colega Monique, após a polêmica sobre estupro haver explodido nas redes sociais, é muito clara: a emissora reagiu em função da repercussão negativa e não em razão do estupro transmitido ao vivo via satélite. Não interessa à TV e nem à lógica do Big Brother Brasil um debate sobre ética no programa ou na TV.

Boninho, diretor do BBB, em um primeiro momento argumentou que “Daniel era vítima de racismo”, provavelmente em uma tentativa de duplicação do debate: estupro ou racismo? Após a intervenção da Polícia, que ameaçou tirar o programa do ar, Boninho mudou de estrategia e afirmou que Daniel “passou dos limites”.

O apresentador Pedro Bial foi lacônico ao anunciar a expulsão do participante. Aliás, no episódio do BBB que alcançou o maior índice de audiência até hoje, Bial – por explícita conveniência – não detalhou para os telespectadores – e ao que tudo indica nem mesmo aos outros participantes – qual foi o motivo da eliminação de Daniel. Ao anunciar sua saída, alegou somente que Daniel havia “infringido as regras do programa”.

Passaram do limite a Rede Globo, Boninho e o participante Daniel. Infringiram a regra da ética. O diretor e a produção do BBB foram omissos, assistiram de camarote, na madrugada de sábado para domingo, ao desenrolar do que tudo indica ter sido um estupro transmitido ao vivo pela TV brasileira. Poderiam ter agido e impedido o suposto crime. Mas aquilo tudo – o estupro e a transmissão ao vivo aos espectadores pagantes – fazia parte da festa, do show. Tudo leva a crer que apostaram no escândalo, na polêmica, na dúvida sobre o caráter de Daniel, mas também de Monique. Apostaram que surgiriam os argumentos preconceituosos comuns nesse tipo de caso: “ela deu mole, facilitou, provocou”. Afinal, os participantes sabem os riscos que correm pelo fato de o programa ser transmitido ao vivo.

A TV Globo parece ter entendido rapidamente os riscos que corre. A denúncia sobre o possível estupro explodiu primeiro nas redes sociais, pautando sites de notícias e blogs, que passaram a indicar links para o YouTube: estupro no BBB12. Em pouco tempo, o caso tornou-se o tema mais comentado na internet.

E o que era para ser uma festa no BBB e mais um escândalo de audiência saiu do controle. A edição do BBB de 2012 tem cinco patrocinadores – AmBev (Guaraná Antarctica), Fiat, Niely, Schincariol (Devassa) e Unilever (Omo) – que, segundo informações da imprensa, desembolsaram R$ 20,6 milhões cada um para terem suas marcas no programa, totalizando R$ 103 milhões. Sabe-se que a discussão sobre limites éticos e legais na produção de conteúdo e patrocínio de programas é uma questão que causa verdadeiro pânico na TV.

Pois esse episódio aponta para duas tendências do público: a primeira evidencia que o telespectador passou, com as tecnologias de comunicação, a ver TV e emitir sua opinião a partir de seu próprio juízo; a segunda tendência revela que a sociedade já identifica com mais clareza situações de violência contra a mulher e que a violação do corpo e da intimidade de uma mulher já é debatida como questão de direito e justiça.

São sinais claros de avanços na agenda de debates e da participação da cidadania. Falta agora que os veículos de mídia também aceitem participar desse debate sobre os limites éticos e legais de seus conteúdos e estratégias para conquistar audiências. Também faltam posições inequívocas das instituições democráticas do país sobre as consequências previstas para esse tipo de atitude de emissoras de TV, para que possam ser responsabilizadas editorialmente sobre os conteúdos transmitidos.

jaciramelo5
Jacira Vieira de Melo
 – Graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicações e Artes da USP e especialista em Comunicação Social e Política na perspectiva de gênero e raça. É diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão – Mídia e Direitos.
(11) 3262.2452 / 7618.9731 – jaciramelo@uol.com.br

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Marcha das Vadias na USP 25/11

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Assédio sexual no transporte: um crime banalizado pela superlotação e invisibilizado pelo constrangimento das vítimas

15/10/2011 – Assédio sexual no transporte: um crime banalizado pela superlotação e invisibilizado pelo constrangimento das vítimas

(retirado do site: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2192&catid=43)

Sáb, 15 de Outubro de 2011 22:53

 

(Estadão.com/R7)O Metrô de São Paulo registrou mais um caso de violência sexual. Desta vez, a vítima foi uma estudante de 21 anos que foi molestada por um advogado dentro de um vagão da Linha 3-Vermelha, por volta das 18h40 da sexta-feira. O Metrô e a CPTM registraram, até julho deste ano, 43 casos de assédio contra passageiras em São Paulo. O Sindicato dos Metroviários está em campanha contra o assédio sexual e para que as mulheres não se sintam constrangidas em denunciar as violências sofridas.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a estudante relatou que o advogado Walter Dias Cordeiro Júnior colocou o pênis para fora da calça e passou a se esfregar nela. Em pé, dentro do trem lotado, ele teria impedido a jovem de deixar o vagão. Ela começou a passar mal e, quando os usuários foram socorrê-la, descobriram que estava sendo molestada.

Seguranças do Metrô levaram o advogado para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). Ele foi preso em flagrante por violência sexual mediante fraude (quando o acusado tira a capacidade de resistência da vítima). Até a noite de sexta-feira o homem não tinha um advogado que o representasse e, segundo informações de um funcionário do distrito policial, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) recusou representá-lo pelo crime não ser funcional, isto é, por não estar ligado às atividades profissionais dele. 
Advogado é preso no metrô por molestar estudante (O Estado de S. Paulo – 16/10/2011)
Em SP, estudante é molestada por advogado dentro de um vagão do Metrô (Estadão.com – 15/10/2011)

Outros crimes sexuais no metrô

O Metrô e a CPTM registraram, até julho deste ano, 43 casos de assédio contra passageiras. As reclamações formais nunca foram significativas, devido ao constrangimento das vítimas.

Um dos casos registrados ocorreu na Estação Sacomã, da Linha 2-Verde, na zona sul, foi filmado por câmeras de segurança. Uma professora de 34 anos foi atacada depois de pedir informações para um homem.

Em abril deste ano, o Metrô registrou também o primeiro caso de estupro dentro de um trem. Uma supervisora de vendas que seguia na Linha 2-Verde, no sentido da Vila Madalena, foi violentada por um homem com as mãos.

Na época, o Metrô havia prometido intensificar a instalação de câmeras nos vagões. – Câmera do metrô de SP flagra tentativa de abuso sexual

Superlotação serve como desculpa

O delegado Valdir de Oliveira Rosa diz que “a maioria das mulheres não quer publicidade”. Já os acusados alegam inocência. “Sempre dizem que encostaram porque estava lotado. Esse problema é facilitado pela superlotação porque, “quando está como uma sardinha em lata, a pessoa se sente anônima, ninguém vê nada e não tem nem como reagir”, avalia Cláudio de Senna Frederico, ex-secretário dos Transportes Metropolitanos.- Assédio sexual no metrô incomoda usuário (Folha.com – 05/09/2005)

Metroviários em campanha contra assédio sexual

“Estamos em campanha contra o assédio sexual nos transportes públicos. É um problema que tem crescido”, diz Marisa dos Santos Mendes, diretora da Secretaria de Assuntos da Mulher do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. – Leia também: Sindicato dos Metroviários de São Paulo formalizou o pedido de retirada do quadro “Metrô Zorra Total”. 

Indicação de fontes

Marisa dos Santos Mendes – diretora da Secretaria de Assuntos da Mulher do Sindicato dos Metroviários de São Paulo
(11) 2095.3600 –mulher@metroviarios-sp.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.   

Bárbara Soares – pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes
(21) 2531.2033 / 9854.4412

Maria Amélia de Almeida Teles (Amelinha) – coordenadora do Programa de Promotoras Legais Populares e da União de Mulheres de São Paulo
(11) 3283.4040 / 9601.4800 – amelinhateles@globo.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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